A Toca do Urso #1

Várias vezes me perguntaram porque sou guia. Para quem não me conhece, pertenço à Associação Guias de Portugal desde os 7 anos e entrei para a companhia um pouco por acaso. Morando onde praticamente toda a gente se conhece(ia) a minha chefe das avezinhas falou com a minha mãe e comecei a ir às reuniões. Agora passados quase 20 anos, sei que a AGP fez e continua a fazer sentido para mim por diversos motivos.

Quando era mais nova, o facto de ter que me organizar. A matéria e os trabalhos de casa sempre em dia, para não ter que faltar a uma reunião, a uma atividade, onde aprendia a trabalhar em patrulha, a ter um cargo e ser responsável por ele. O meu primeiro cargo foi secretária e lembro-me de na primeira acta que escrevi (sim fazíamos isso), referir-me ao meu ninho como o “grupo”. Toda a nomenclatura veio mais tarde.
Depois um pouco mais velha, ter que conciliar a atividade desportiva, com a escola, as guias e tudo o mais que normalmente ataranta uma adolescente. Ser guia ajudou-me a definir prioridades e objetivos. Ajudou-me a perceber que algumas/muitas vezes temos que parar, dar um passo atrás e observar a situação, pedir opinião ou ajuda a alguém que sabe mais e agir.
Agora já adulta, são incontáveis as capacidades, atitudes e valores que adquiri porque sou guia. Não, não digo que as tenha todas, mas tenho a certeza que se não fosse guia não as tinha adquirido tão cedo e nunca estaria tão atenta ao outro, como tento estar. Ser guia é aceitar desafios, criar as nossas próprias oportunidades e não estar parada. Gostava que todas as raparigas tivessem a oportunidade de experimentar o que eu experimentei, nem que fosse numa fase das suas vidas.

Canhotamarelinha

Urso Curioso

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